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Michels ameaça entregar cargo se Sabesp não negociar dívida

O prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), criticou o governador  Geraldo Alckmin (PSDB) por ter, segundo o verde, endurecido a negociação da dívida de R$ 1 bilhão da Companhia de Saneamento Básico de Diadema (Saned) junto à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Durante coletiva de imprensa para anunciar novos secretários ontem (2), no Paço, Michels disparou contra o Estado e prometeu entregar a chave da cidade e seu diploma de prefeito ao tucano se houver a execução dos R$ 456 milhões autorizados pela Justiça a pedido da estatal.

“O município está executado em R$ 450 milhões de receitas de impostos. Se realmente acontecer entrego a chave da cidade e meu cargo de prefeito ao governador Geraldo Alckmin para que administre a cidade. A Sabesp está com duas facas em meu pescoço. Porém, não tem problema que me tratem dessa forma, pois vou vencer essa batalha”, disse Michels. Infelizmente, não temos o respaldo esperado do governo do Estado. Esperava  respaldo mais respeitoso e digno com o povo de Diadema. Somos de um partido que compõe a base aliada do governador, mas nossa cidade não tem o mesmo respeito do Estado.”

O saldo negativo foi contraído em 1994, quando o então prefeito José de Filippi Junior (PT) resolveu romper unilateralmente o contrato de prestação de serviço na cidade. Ainda durante seu discurso, Michels voltou a culpar a gestão anterior pelos passivos da autarquia, mas sugeriu à Sabesp um programa de recuperação fiscal como o que está em vigor na cidade. “De fato, temos dívidas, mas vamos pagar o que é justo. Por que não fazem um Refis para a gente? Somos bom pagadores. A Saned  vai dar R$ 140 milhões de lucro no fim do ano e é viável nas mãos de pessoas responsáveis. Vamos brigar e protestar, pois o povo quer resposta”, disse o prefeito.

A Câmara deve apreciar durante a sessão ordinária de amanhã o projeto de lei de autoria do Executivo que cria a Companhia de Água e Esgoto de Diadema (Caed), fusão entre a Saned e Sabesp. O texto está em discussão desde a gestão do ex-prefeito Mário Reali (PT) e chegou a ser enviado à Câmara em abril, mas foi retirado da pauta a pedido de Michels para algumas correções. Com a criação da nova empresa, a tendência é que a dívida seja amortizada para R$ 280 milhões, sendo que o valor deverá ser parcelado em até 30 anos. “Vou pedir para o (líder de governo no Legislativo) Zé Dourado (PSDB) adiar o projeto da Caed na Câmara mais uma vez a pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE)”, revelou Michels.

Integração

O prefeito aproveitou para reafirmar o discurso de que manterá a gratuidade da integração nos terminais de Diadema e Piraporinha. Em outubro de 2011, a Empresa Metropolitana deTransportes Urbanos (EMTU) comunicou a prefeitura sobre o fim do convênio que garante gratuidade aos passageiros que usam linhas municipais e embarcam nas intermunicipais nos dois terminais da cidade. A ideia inicial era de cobrar R$ 1 pela integração,  medida que afetaria mais de 40 mil pessoas, que usam os terminais todos os dias. “Não vamos deixar que o governo do Estado cobre a integração. Vamos brigar até o final e, se for preciso, vamos parar o carro na frente dos terminais, pois minha palavra foi dada e será cumprida. Não vai ter cobrança da integração. Se quiserem protesto vão ter até o final”, enfatizou Michels.

Cinco mudanças no primeiro escalão

O prefeito de Diadema, Lauro Michels (PV), anunciou, ontem (2), cinco alterações no primeiro escalão. Durante coletiva de imprensa no Paço, o chefe do Executivo revelou que seu sogro, Francisco Rocha, foi nomeado chefe de Gabinete no lugar do ex-prefeito de Rio Grande da Serra Adler Teixeira, o Kiko (PSDB). Vislumbrando as eleições de 2014, o tucano foi nomeado  assessor especial de Gabinete e será um dos principais articuladores entre o Executivo e Legislativo.

O presidente local do PR, José Carlos Gonçalves, foi nomeado secretário de Transportes. A pasta era comandada interinamente pelo chefe de departamento na Divisão de Trânsito da cidade, Romério Vieira, que havia sido indicado há duas semanas para comandar a pasta depois de David Schimitd ter pedido demissão. Agora, o principal trabalho de Gonçalves será o de tentar manter a gratuidade da integração nos terminais de Diadema e Piraporinha. “A integração é uma conquista de mais de 20 anos e vamos até as últimas consequências para mantê-la na cidade. Se for preciso ir às ruas iremos. O governo do Estado já percebeu que o gigante acordou e o povo não é mais bobo”, disse Gonçalves, ressaltando ser usuário do transporte público. “Mesmo como secretário quero usar o ônibus em horários de pico.”

Além disso, Michels nomeou Clovis Xidieh Costa para comandar a Secretaria de Finanças, enquanto que Iliomar Darronqui assumirá a pasta de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. Em seu discurso, Michels agradeceu a vontade de trabalho da nova equipe e, por enquanto, deu nota 4 para seu governo. “Quero encerrar este ano com nota 8”, disse.

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Um comentário to "Michels ameaça entregar cargo se Sabesp não negociar dívida"

  1. veronica disse:

    na minha opinião o prefeito também deveria ter um olhar mais atento para a secretaria da saúde que estar sendo administrada por uma corja de ditadores que ordena e não ouvem a opinião dos funcionários e nem da população o secretario da saúde e um carrasco que nomeia uma gerencia tao incompetente quanto ele espero que o prefeito tome ciência e providencia em relação aos fatos.

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