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Para Procuradoria, ex-presidente Lula obteve vantagens no petrolão

Lima vê indícios de desvio para pessoas próximas a Lula. Foto: Heuler Andrey/DiaEsportivo/Folhapress

No dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de mandado de condução coercitiva, o Ministério Público Federal afirmou que o petista foi um “dos principais beneficiários” do esquema de corrupção na Petrobras e que não tinha como não saber dos desvios na estatal.

Lula, o instituto que leva o seu nome e a LILS, empresa de palestras, tiveram seus sigilos fiscais e bancários quebrados por ordem do juiz Sergio Moro.

A suspeita dos procuradores é que o petista tenha tirado proveito dos desvios. Há indícios de que Lula tenha recebido mais de R$ 4 milhões em benesses pagas de investigados na Lava Jato e que, por meio de laranjas, tenha ocultado patrimônio de um apartamento no Guarujá e um sítio em Atibaia, segundo as investigações.

A força-tarefa sustenta ainda que os maiores financiadores do instituto e da LILS foram empreiteiras investigadas na Lava Jato e que o dinheiro obtido pelas entidades era repassado a pessoas próximas ao ex-presidente, como seus filhos.

Desde que deixou o Palácio do Planalto, Lula recebeu ao menos R$ 56 milhões a título de palestras e de doações para o instituto. Desse montante, as empreiteiras Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e UTC bancaram R$ 30 milhões.

No despacho em que autorizou a condução coercitiva de Lula, Moro afirma que, “no contexto do esquema criminoso da Petrobras, gera dúvidas a generosidade das empresas”.

Quatro filhos do ex-presidente receberam pagamentos do instituto e também da empresa de palestras. O maior repasse, de R$ 1,35 milhão, foi para a G4 Entretenimento, que tem Fábio Luis como sócio.

Três filhos de Lula estavam citados entre os 33 mandados de busca cumpridos ontem (4). Empresas de familiares, como a FlexBr Tecnologia, de Sandro Luís, Marcos Cláudio Lula da Silva e da nora Marlene, também sofreram buscas.

Em petição, os procuradores compararam o instituto e a LILS com empresas de fachada de operadores da Lava Jato, como Alberto Youssef.

Além dos filhos de Lula, o Ministério Público também levantou suspeitas sobre pessoas próximas, como Paulo Okamotto, presidente do instituto e sócio minoritário da LILS.

Empreiteiras, como a Odebrecht e a OAS, também voltaram a ser alvos de buscas da Polícia Federal ontem. As duas construtoras são suspeitas de bancar a reforma no sítio usado por Lula e que no papel pertence a Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de Fábio Luís.

A investigação aponta que o local começou a ser reformado por José Carlos Bumlai, que arcou com R$ 747,1 mil com as obras. Também diz que um e-mail de Roberto Teixeira, compadre de Lula, mostra que o ex-presidente era o verdadeiro dono da propriedade.

Para a força-tarefa, há indícios de que a OAS pagou também “vantagem indevida” ao bancar reformas em um tríplex em Guarujá (SP).

Lula diz que tinha opção de compra do imóvel reformado, mas que desistiu de comprá-lo.

Inacreditável

“O inacreditável é que foram pagos R$ 40 mil co­mo opção de compra de um apartamento que recebeu uma reforma de mais de R$ 700 mil”, disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

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