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Mesmo com o dólar alto, exportações de empresas do ABC caem 8,6% neste ano

Em um cenário de re­tração da atividade econômica no Brasil, exportar poderia ser a “tábua de salvação” das indústrias do ABC. Porém, o dólar elevado parece não ter dado o im­pulso ne­cessário aos empre­sários da região para se aven­­tu­rar além-fronteiras.

Prova disso é que, no acumulado de janeiro a maio, as exportações de empresas com sede no ABC caíram 8,55%, para US$ 1,82 bilhão, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O recuo só não foi maior porque o volume exportado foi 4,7% superior na mesma comparação – o que sinaliza mudança no perfil do produto embarcado e vendas com preços mais baixos em dólar.

Em maio, os embarques de companhias do ABC somaram US$ 401,4 milhões, melhor resultado desde outubro do ano passado, mas que revela queda de 10,4% ante o total enviado ao exterior no mesmo mês do ano passado (veja gráfico ao lado).

Uma das principais pautas exportadoras da região, a venda de veículos cresceu 6,3% de janeiro a maio ante igual período do ano passado, como resultado do real valorizado, de acordos comerciais firmados em 2015 e da decisão do presidente argentino Mau­ri­cio Macri de derrubar barreiras protecionistas de seu país.

O desempenho acima do esperado levou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfa­vea) a revisar sua projeção de alta das exportações neste ano, de 8,5% para 21,5%.

Para a entidade, a possível renovação do acordo automotivo com a Argentina deve estimular ainda mais as exportações do setor, uma vez que o país vizinho é o principal comprador de carros brasileiros.

No sentido contrário, o envio de autopeças caiu 21,9% no acumulado de 2016, para US$ 472,9 milhões – ape­sar de a cotação média do dólar ter saltado para R$ 3,55 no mês passado, 16% acima dos R$ 3,06 de maio de 2015.

“A falta de política externa clara e as variações no câmbio geram insegurança e deixam o ambiente pouco amigável para o exportador. O empresário fica mais precavido, à espera de cotação melhor”, disse Sandro Maskio, co­or­­­dena­dor do Observatório Eco­­nô­mico da Universidade Metodista de São Paulo, durante a divulgação do boletim IndústriABC.

A queda no desempenho do setor também está relacionada aos problemas crônicos de falta de competitividade da indústria regional.

Balança comercial sobe 

Os dados do MDIC revelam ainda que a região importou US$ 1,29 bi­lhão de janeiro a maio, montante 34,4% inferior aos quase US$ 2 bilhões comprados no exterior em igual período do ano passado.

Pelo lado das importações, a queda se deve à redução da atividade econômica. No ABC, a maior parte das compras externas é de autopeças, usadas na produção de sistemas e veículos; e de insumos industriais, empregados na fabricação de componentes automotivos. Pa­ralelamente, o dólar valorizado tornou mais caros produtos feitos fora do país.

Graças à redução nas importações, a balança comercial do ABC é superavitária em US$ 528,3 milhões no acumulado de 2016, ante saldo positivo de US$ 25,6 mi­lhões registrado nos primeiros cinco meses do ano passado.

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