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A Chicago de Obama

Tem a Chicago famosa por seus ventos gelados, pelo infame Al Capone (1899-1947), pela escultura espelhada que lembra um colossal feijão. E tem a Chicago de Barack, 55, e Michelle Obama, 52.

Em oito dias, o presidente e a primeira-dama dos EUA, mais suas filhas Malia, 18, e Sasha, 15, cederão a Casa Branca para seu próximo inquilino, o empresário republicano Donald Trump.
Fora Malia, que vai estudar em Harvard (assim como os pais), os Obamas continuarão em Washington até a caçula se formar no colégio. Mas é a cidade onde Barack e Michelle se conheceram, em 1989, que receberá o legado do primeiro presidente negro dos Estados Unidos –a começar por uma biblioteca no Jackson Park, como parte do Centro Presidencial do Obama.
“Localizado numa cidade onde um jovem certa vez inspirou sua comunidade a agir, o centro vai motivar cidadãos do mundo todo a melhorar suas comunidades, seus países”, diz o site do projeto.

Obama nasceu no Havaí e já morou em vários cantos do país, de Honolulu a Seattle, além de uma temporada na Indonésia, dos 6 aos 11 anos. É Chicago, no entanto, que ele chama de casa.
endereço velho

Duas décadas antes de se mudar para a residência presidencial, Obama vivia com um gato cinza, Max, num apartamento de um quarto no sul da terceira maior cidade americana (Chicago perde para Nova York e Los Angeles em número de habitantes). O lugar poderia ter sido mobiliado por um monge, como descreve seu biógrafo David Remnick: cama, mesinha, duas cadeiras e alguns livros.

O futuro presidente discutia questões comunitárias num McDonald’s da área, cortava o cabelo não muito longe, numa barbearia que ainda preserva sua “cadeira favorita”, e jogava basquete numa quadra da vizinhança.

Num arranha-céu conheceu sua mulher. Naquele verão, o estagiário Barack, 27, passou semanas cortejando Michelle, 25, sua mentora numa firma de advocacia onde eles eram dos raros negros.

Ela chegou a tentar arranjá-lo para duas amigas, como Obama conta na autobiografia “A Audácia da Esperança”. Enfim cedeu e topou um encontro, recontado com pinceladas fictícias no filme “Michelle e Obama” (2016).

Não se sabe, por exemplo, se tomaram mesmo drinques a 300 metros de altura no topo do John Hancock Center, onde o Signature Lounge, no 96º andar, hoje vende especialidades como o Honey Crisp Mojito (rum, brandy de maçã, mel, lima, menta e club soda, por US$ 17, ou R$ 54).
Mas uma coisa é fato: no Instituto de Arte de Chicago, os dois viram um quadro do afro-americano Ernie Barnes (1938-2009), “Sugar Shack” –que serviu de capa para um álbum do músico Marvin Gaye, “I Want You” (1976).

Assistiram também ao longa “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee. “Levei-a para este filme novo do qual todos falavam, dirigido por um cara do qual poucos haviam ouvido falar”, disse Obama em 2014, no aniversário de 25 anos da obra sobre tensões raciais em Nova York.
“Ele estava tentando me mostrar seu lado sofisticado, selecionando um cineasta independente”, zombou a primeira-dama na sequência.

Pelo visto, ele fez a coisa certa: os dois se beijaram no meio-fio, tomando uma casquinha da rede de sorveterias Baskin-Robbins –hoje, duas bolas custam US$ 4 (R$ 13).
“Contei a ela sobre ter trabalhado na Baskin ainda adolescente e como era difícil parecer ‘cool’ com avental marrom. Ela me disse que, quando criança, se recusava a comer qualquer coisa que não fosse manteiga de amendoim e geleia”, escreveu Obama. Então aconteceu: “Perguntei se poderia beijá-la. Tinha gosto de chocolate”.

A jornalista viajou a convite do Grupo Habita. (Anna Virginia Balloussier)

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