0

Dr. Napoleão: 11 anos sem o precursor da humanização da saúde em Diadema

Vera Lúcia e  Dr. Napoleão: “perdemos um pai”. Foto: Arquivo pessoal Em 23 de julho de 2006, Diadema perdia o médico Napoleão Lopes Fernandes aos 69 anos. Apesar da luta contra o câncer, o Dr. Saúde, como ficou conhecido, manteve-se à frente do Hospital São Lucas mesmo realizando tratamento de rádio e quimioterapia, o que segundo sua secretária e amiga Vera Lúcia Martinez, mostra o imenso amor que tinha pela medicina. “Não perdemos um médico. Perdemos um pai”, disse.

Foram mais de 40 anos dedicados a salvar vidas, promovendo ações junto à comunidade e na busca por melhorias na infraestrutura de atendimento à população. Napoleão Lopes inaugurou a primeira instituição médica da cidade em 1978, à época denominado Hospital São Lucas de Diadema, hoje Hospital e Maternidade São Lucas. Em busca de melhor atendimento para a população, alguns anos depois, associado a um grupo, construiu o Hospital Diadema, dedicado a atendimento de emergências e internações.

A colaboração de Napoleão Lopes não se resumiu à construção de hospitais. O carinho com que tratava os pacientes e o trabalho que desenvolveu no município o liga intimamente à área da saúde em Diadema.

Segundo Vera Lúcia, o pneumologista e intensivista foi um dos precursores da humanização da saúde. “Me recordo de em 2008 ser convidada para um curso sobre humanização da saúde, que à época era destaque na área. Assim que começou, pedi licença e sai. Era administradora de um hospital e achei que não deveria perder meu tempo, já que quando conheci o Dr. Napoleão, no início da década de 70, ele já aplicava o conceito em seu hospital e tudo que sei sobre o tema aprendi com ele”, pontuou.

“Muito, muito humano.” Assim define Vera o Dr. Napoleão. “Um dos episódios que sempre me vem à mente foi quando a neta de um funcionário do Samu precisou de internação na UTI, mas não tinha convênio. Quando contei o caso para ele, me autorizou (à época Vera atuava no São Lucas) a trazer a menina. Foram três meses de internação que, infelizmente, não tiveram um desfecho feliz. O doutor já estava de cama por conta do câncer, mas continuava atuando na administração. Então, levei para ele as contas astronômicas que ficaram a internação. Ele pegou os papéis e rasgou um a um. ‘Ninguém precisa saber’ me disse”, relembrou Vera, ao afirmar que esse é só um dos muitos casos semelhantes.

Fiquei ao lado do Dr. Napoleão durante todo o tratamento de sua doença e, no final, me dediquei exclusivamente a ele. Dormia no hospital para acompanhá-lo. Ficava ao seu lado o tempo todo. Posso dizer com toda a segurança: ele foi mais que um médico e um amigo. Foi um pai para muita gente.”

Editoria: Cidade Tags: , , ,

Assine e receba as publicações

Compartilhe esta matéria

Matérias Relacionadas

Comente esta matéria

Enviar comentário

Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e serão removidos.

© 2017 Diadema Jornal. Todos os direitos reservados.
.