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Blairo Maggi aumentou em milhões ‘mensalinho’ de deputados, diz delator

Blairo é acusado de aumentar propina em troca de apoio. Foto: Agência SenadoO ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux autorizou abertura de inquérito para investigar o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, por crime de organização criminosa. Maggi teria participado de acordo para aumentar o valor da propina paga a deputados estaduais de Mato Grosso em troca de apoio quando era governador do Estado, segundo delação do também ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

O delator relata que, no governo de Maggi (2003 a 2010), começou a se operar o chamado “mensalinho” no ano de 2003. A vantagem indevida correspondia a cerca de R$ 30 mil por deputado. Segundo Barbosa, foi feito acerto entre a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e Maggi para que o governo aumentasse a mesada. “Em 2003 houve um acréscimo de R$ 12 milhões a R$ 15 milhões no orçamento da Assembleia Legislativa para que pudessem retirar desse valor as vantagens indevidas”, declarou.

As tratativas foram realizadas, segundo Barbosa, pelo então governador, seu secretário de Infraestrutura, Luiz Antonio Pagot, e o secretário de Fazenda à época e hoje conselheiro do TCU (Tribunal de Contas da União) Waldir Teis. “Todas essas pessoas sabiam que o aumento do repasse para a Assembleia seria para os deputados receberem suas vantagens indevidas, as quais ocorriam através de serviços não prestados, sendo que em contrapartida a Assembleia apoiaria o governo nos projetos de seus interesses”, afirma Barbosa.

O ex-governador disse que, quando estava na Mesa Diretora como deputado estadual, entre 2003 e 2006, foi um dos responsáveis por representar os interesses dos parlamentares acerca do recebimento do mensalinho. Por isso, teve apoio irrestrito da Assembleia Legislativa para ser indicado para vice-governador na segunda gestão Maggi, reeleito em 2006.

Barbosa foi indicado para concorrer ao governo do Estado em 2010 e disse que, em troca do apoio, Maggi exigiu que pagasse dívidas contraídas em seu governo junto a empresas de factoring e bancos, relacionadas à captação ilegal de recursos de campanha.

Inquérito

O pedido de inquérito foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República). “Os casos apresentados ocorreram sob a égide de uma organização criminosa instalada no alto escalão do governo de Mato Grosso”, escreveu o procurador-geral, Rodrigo Janot.

Conforme a Folha de S.Paulo antecipou, Silval também disse que o ministro da Agricultura participou da montagem de um esquema para liberar dinheiro de precatórios (dívidas decorrentes de sentenças judiciais) estaduais em troca do apoio de parlamentares. Mencionou ainda uma suposta tentativa de Maggi de obstruir a Justiça em relação à Operação Ararath, deflagrada em 2010 para investigar o pagamento de precatórios.
Barbosa disse que Pedro Taques (PSDB), atual governador de MT, se comprometeu a não “remexer” nos erros dos governos anteriores. Em troca, Taques pediu a Barbosa para não investir na campanha de Lúdio Cabral, candidato ao governo de Mato Grosso pelo PT.

O delator relatou também que, em reunião com o então prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), na qual ele falou em nome de Pedro Taques, foram solicitados R$ 20 milhões para a campanha do tucano.

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