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Mães de alunos de creche em Diadema vão à Câmara reivindicar vacina contra a meningite

Um pequeno grupo de mães de alunos da Escola Municipal Eva Maria dos Santos, no bairro Campanário, em Diadema, esteve na Câmara Municipal na tarde de quinta (31), para cobrar medidas da prefeitura. Entre junho e o último dia 28, duas crianças, estudantes da unidade, faleceram. Uma delas teve o diagnóstico de meningite pneumocócica confirmada. A outra morte ainda aguarda confirmação da causa. As mães reivindicam que todas as crianças da escola sejam vacinadas.

“Quando morreu a primeira criança, apenas os alunos da mesma sala tomaram o antibiótico. Garantiram para a gente que não existia risco para outras crianças. Quantos filhos vamos ter de perder?”, questionou Michelle Catarina da Silva Santos, mãe de um aluno de 3 anos. “Uma médica da prefeitura disse que é o adulto quem passa a bactéria para a criança, por que os pais não tomaram os remédios?”, inquiriu.

Vanessa Freitas, avó de um aluno de 3 anos, afirmou que os responsáveis pelas crianças entendem que é necessário interditar e fechar a unidade por ao menos 40 dias. “É uma doença altamente contagiosa, precisa de isolamento. Não fizeram da primeira vez, e agora morreu outra criança”, afirmou.

As mães também relataram que entre as duas mortes – uma ocorrida em 7 de junho e a outra em 28 deste mês – outro aluno da escola teria sido diagnosticado com meningite. A prefeitura confirmou que um aluno teve a doença diagnosticada, mas negou que tenha sido aluno da mesma escola. Porém, não informou o nome unidade escolar.

A Prefeitura de Diadema foi questionada sobre a medicação para os pais e informou que o protocolo seguido é o recomendado pelo Ministério da Saúde e órgãos internacionais, que indica a medicação apenas para as crianças da classe e pessoas do domicílio. “Cabe acrescentar que os pais das crianças não tiveram contato prolongado com a criança que teve a doença, condição necessária para aplicação da medicação”.

Sobre o fechamento da unidade e a vacinação, a administração informou que a creche foi higienizada e que a bactéria não se fixa em móveis, paredes ou objetos, pois não sobrevive no ambiente. “Assim, precisa de um portador que elimine a bactéria e transmita para outra pessoa. Por esse motivo, não está indicado o fechamento da escola. Ainda de acordo com a prefeitura, a vacinação é indicada apenas em casos de surte de um mesmo tipo de meningite com casos em período inferior a 15 dias.

O caso

Uma criança de 3 anos, moradora de Diadema e aluna da Escola Municipal Eva Maria dos Santos, no bairro do Campanário, na mesma cidade, faleceu na última segunda- (28) e a suspeita dos médicos é que tenha sido vítima de meningite bacteriana. Em junho, outro aluno da mesma unidade também faleceu, e a meningite pneumocócica, segundo a administração municipal, foi confirmada como a causa da morte.

Preocupados com a situação – uma vez que a doença é altamente contagiosa – pais se reuniram com representantes da prefeitura na manhã dquarta (30). O temor é que haja algum surto e outras crianças possam ter sido contaminadas. Ainda não há confirmação sobre a causa da morte de Nicolas, a criança que faleceu no dia 28.

Em nota, a Prefeitura de Diadema informou que se solidariza com a família do aluno que veio a óbito e em relação a suspeita de meningite, esclarece que a Vigilância Epidemiológica da cidade foi notificada sobre o caso na manhã de terça-feira (29) pela Vigilância Epidemiológica Estadual. “Embora não haja confirmação laboratorial para meningite, pelos sintomas apresentados, a Secretaria de Saúde adotará conduta indicada para doença meningocócica e meningite”, informa a nota.

Segundo a prefeitura, foi realizada aplicação de quimioprofilaxia para crianças da classe, professores e familiares próximos e, embora a criança seja da mesma creche em que houve outro caso de meningite, em junho deste ano, a criança não teve contato com o aluno que veio a óbito, pois não eram da mesma classe.

“Além disso, não há relação entre os dois casos devido ao tempo decorrido. A incubação da bactéria se dá, no máximo, em 10 dias, que é o tempo que pode aparecer um novo caso”, completou.

A mãe de Nicolas, a dona de casa Gabriela Regina de Lima, contou à reportagem do Diário Regional que o filho apresentou febre alta no domingo (27). “Quando tinha um ano, ele teve convulsão por causa da febre, então fomos ao Quarteirão da Saúde”, relatou. Nicolas foi medicado com um antitérmico e um antialérgico e um dos médicos que o atendeu pediu alguns exames.

“Havia muitas crianças, apenas uma enfermeira, e como tinha melhorado, estava sem febre e tinha consulta com o pediatra no dia seguinte, resolvi ir embora”, relatou. Nicolas acordou tendo muitas dores na segunda-feira e quando chegou ao hospital já apresentava manchas roxas pelo corpo. Foi transferido para o Hospital Infantil Cândido Fontoura, em São Paulo, mas não resistiu a uma parada cardíaca.

A meningite é uma doença caracterizada pela inflamação das meninges, membradas que envolvem parte do cérebro. Pode ser viral, provocada por fungos ou bactérias, atinge principalmente crianças entre zero a 5 anos. Pode causar, entre outras coisas, paralisia, perda da audição, epilepsia. A rede pública tem vacina contra três tipos de bactérias que causam meningite: a “meningocócica tipo C Conjugado”, a pneumocócica e para hemófilos influenza.

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