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ABC registra queda de 22,4% na mortalidade infantil

A taxa de mortalidade infantil (relação de óbitos de crianças com menos de um ano para cada mil nascidos vivos) no ABC caiu 22,4% em dez anos, de acordo com dados da Fundação Sistema Estadual de Dados (Seade), que foram divulgados ontem (4). A taxa caiu de 12,9 em 2006 para 10,0 em 2016. Em 20 anos, a queda chega a 54,7%, já que há duas décadas a taxa de mortalidade infantil na região era de 22,1 mortes para cada grupo de mil nascidos vivos.

Na comparação com o ano anterior, 2015, a queda é mais tímida: de 10,7 para 10,0, recuo de 6,5%. Cidades com números de nascimentos menores, seja pelo alto grau de desenvolvimento, seja pelo baixo número de habitantes (como São Caetano e Rio Grande da Serra, por exemplo), podem apresentar variações maiores no índice, uma vez que poucas mortes e/ou poucos nascimentos já provocam grande impacto nas taxas.

Entre as cidades, na comparação entre 2015 e 2016, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Santo André apresentaram reduções, com destaque para Rio Grande, onde a taxa caiu 61,6% (de 8,6 para 3,3). São Bernardo e São Caetano registraram aumento de 19,4% e 15,53%, respectivamente (veja tabela).

O professor titular da disciplina de Obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC, Mauro Sancovski, explicou que a taxa de mortalidade é composta por dados diversos, como a mortalidade neonatal precoce (até seis dias de vida), neonatal tardia (de sete a 27 dias de vida), e que é preciso analisar qual componente se alterou.

“As cidades mantêm comitês de acompanhamento da mortalidade infantil, e com certeza têm esses dados, bem como a mortalidade na rede pública e privada. Em São Bernardo, por exemplo, apesar da taxa ter apresentado alta de 2015 para 2016, tenho a informação que no Hospital Municipal Universitário (HMU) a taxa de mortalidade intrahospitalar (enquanto o bebê ainda está hospitalizado) caiu bastante. Precisa identificar o que exatamente aumentou a taxa”, considerou.

Estratégias

De maneira geral, o médico destacou que as principais estratégias no combate à mortalidade infantil são o aumento da cobertura e da qualidade na assistência pré-natal, de forma a evitar problemas gestacionais e partos prematuros, bem como o incentivo ao aleitamento materno, que previne diversas doenças e diminui sensivelmente a incidência de óbito.

“Temos percebido que de uma maneira geral, os esforços para que a mãe saia do hospital amamentando, uma vez que todas as maternidades públicas da região são certificadas como Hospitais Amigos da Criança e recebem grande investimento para o apoio ao aleitamento, a amamentação não continua por muito tempo em casa”, pontuou. “Precisamos pensar em uma rede de apoio maior, com as Unidades Básicas de Saúde e os agentes de saúde reforçando esse incentivo”, concluiu.

No Estado de São Paulo, a taxa alcançou 10,9 óbitos por cada grupo de mil bebês nascidos vivos. Em relação a 2010, quando a mortalidade infantil chegava a 11,9 por mil, houve queda de 8,3%. A magnitude dessa redução pode ser constatada ao se considerar que, nesse período, o número de nascidos vivos permaneceu praticamente constante, em torno de 600 mil, enquanto os óbitos de menores de um ano diminuíram mais de 8%. Em 2015, a TMI foi de 10,7 óbitos por mil nascidos vivos.

Municípios da região destacam ações para reduzir a taxa

A Fundação Seade divulgou ontem (4) a taxa de mortalidade de 2016 de todas as cidades do Estado de São Paulo. No ABC, considerando o número de óbitos de crianças até um ano em cada grupo de mil nascidos vivos, a taxa ficou em 10, queda de 6,5% na comparação com 2015 (cuja taxa regional foi de 10,7) e recuo de 22,4% na comparação com 2006, quando era de 12,9. As cidades destacaram para a reportagem do Diário Regional as ações que têm sido tomadas para conter a mortalidade infantil.

Em Mauá, que apresentou em 2016 a taxa de 9,5, o menor índice nos últimos 30 anos, a prefeitura relatou que tem buscado o fortalecimento do Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento em todos os níveis de atenção à saúde. “As unidades básicas de saúde monitoraram de perto as gestantes dos seus territórios e os bebês durante seu primeiro ano de vida, estabelecendo inclusive métodos de busca ativa desta população. A administração investiu ainda no compartilhamento de informações entre os serviços dos diferentes níveis de atenção, facilitando a comunicação e o monitoramento”, informou, por meio de nota.

“O Comitê de Mortalidade Materna e Infantil foi fortalecido com reuniões mensais e qualificação dos estudos dos óbitos; foi criado o Comitê de Sífilis Congênita, dentre outras atividades. Vale ressaltar que com o coeficiente abaixo de 10,0 por mil nascidos vivos o município conseguiu alcançar o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, completa a nota.

São Bernardo, que viu a taxa subir 19,04%, passando de 8,4 em 2015 para 10,0 em 2016, a administração informou, também por meio de nota, que o Hospital Municipal Universitário (HMU) registrou o índice de 6,8 de mortalidade infantil entre os recém-nascidos, o menor índice institucional do hospital, desde 2009.

“Porém, a maioria dos óbitos infantis registrados no município foram com bebês acima de 28 dias e que já estavam em casa. Esses pacientes desenvolveram infecções próprias da infância ou tiveram problemas com a aspiração do leite, que levaram a morte”, diz a nota.

A Secretaria de Saúde está aprimorando os conceitos do Programa de Saúde da Infância e desenvolvendo ações de conscientização aos pais, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Além disso, os agentes comunitários realizam busca ativa dos pacientes e acompanham a carteirinha de vacinação e consultas médicas, com o objetivo de reduzir a taxa. As demais prefeituras não comentaram os dados até o fechamento desta edição. O coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Saúde do Consórcio Intermunicipal do ABC e secretário de Saúde de São Bernardo, Geraldo Reple, não estava disponível para comentar a taxa regional.

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