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Boa diversão, ‘Oito Mulheres’ desperta desejo para que roubo dê certo

Boa diversão, 'Oito Mulheres' desperta desejo para que roubo dê certo

“Oito Mulheres e um Segredo” é um filme com elementos capazes de distrair o espectador, desde que não espere muito. Foto: Divulgação

Por Inácio Araújo

O que se espera de “Oito Mulheres e um Segredo”, no primeiro momento, é um decalque dos “Onze Homens etc.” anteriores em versão feminina.

É isso que o filme entrega, aliás. Mas, se o espectador não sucumbe ao sono, é porque ele consegue nos introduzir a um mundo de falsidade.

Isso já na primeira cena: depois de cinco anos na prisão, Sandra Bullock, diante dos juízes da condicional, representa o papel da boa moça. Pode parecer um pouco falsa, mas o que não é falso nessas circunstâncias?

O certo é que ela consegue. Estamos, pois, diante de Debbie Ocean, irmã de Danny, com um mirabolante plano de roubar um raro colar de diamantes de US$ 150 milhões.

O plano não é tão diferente dos anteriores envolvendo a família Ocean. Trata-se de juntar várias pessoas, mulheres no caso, com variadas habilidades.

Temos de hackers a batedoras de carteira: todas as tecnologias imagináveis estão disponíveis. Mais ou menos aquilo que já conhecemos de outros carnavais.

A vantagem é que a circunstância do roubo, uma festa no museu Metropolitan, o Met Gala, nos coloca diante de um universo de falsidade.

O dinheiro, as celebridades, os valores, os joalheiros, até as imagens: tudo cheira a falso. Desde a escadaria por onde entram os convidados, onde duas filas de serviçais vestem-se à maneira de algum século bem passado, percebe-se isso.

Eis então a vantagem do filme: num momento em que tantas produções se preocupam em encenar um fim de mundo que apenas super-heróis muito super podem salvar, “Oito Mulheres” observa esse mesmo periclitante mundo por outro ângulo.

E não raro isso incide mesmo sobre as atrizes. Não é apenas maquiagem no rosto delas: há momentos em que aquilo parece uma máscara. O tom está dado. É claro, o roteiro tem sabor de coisa requentada. Como não ser depois de todos aqueles “Onze Homens etc.” e sequelas?

Se isso passa, se o filme se oferece como uma boa diversão dominical, é por esse tipo de investimento, graças ao qual torcemos para que o roubo dê certo. Afinal, ele é a única coisa verdadeira que acontece por ali.

Se, ao mesmo tempo, o voo é curto, isso se deve em parte ao fato de faltar um vilão para animar a trama. Uma das coisas que animam o primeiro exemplar da série é o fato de a vítima ser um cassino e seu representante um malvado de primeira (como se espera de um cassino, afinal).

Aqui, a imaginação frequenta um terreno tão esgotado que parece até ter perdido o entusiasmo necessário para encontrar um inimigo à sua altura.

“Oito Mulheres e um Segredo” é, enfim, um filme com elementos capazes de distrair o espectador, desde que não espere muito. Quem esperar demais corre o risco de, como eu, de repente pilhar-se a lembrar do fabuloso roubo no início da “Femme Fatale”, de Brian de Palma. É quando pensamos no que distancia um filme de De Palma de um de Gary Ross.

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