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Protestos contra cortes na educação atingem ao menos 241 cidades

Protestos contra cortes na educação atingem ao menos 241 cidades

Manifestantes caminharam Paulista até a Alesp. Foto: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

Após 134 dias de governo, o presidente Jair Bolsonaro enfrentou nesta quarta-feira (15), as primeiras manifestações de grandes proporções. Milhares de pessoas foram às ruas de ao menos 241 cidades, nos 26 Estados e no Distrito Federal, para protestar contra os cortes orçamentários na área da Educação, que afetaram principalmente as universidades públicas federais. Os manifestantes também externaram descontentamento com o governo de forma geral – o coro “fora Bolsonaro” foi ouvido em dezenas de cidades.

Na Avenida Paulista, que permaneceu fechada aos carros nos dois sentidos entre meio dia e por volta das 18h30, o protesto foi em frente ao Masp, e se estendeu por cerca de cinco quarteirões. A professora aposentada Josefa Laurinda, de 79 anos, disse que em mais de 40 anos dedicados à sala de aula nunca viu um cenário tão desanimador para o ensino. “Tratam professores como ini­migos, cortam verba. Quem vai querer dar aula? Precisamos valorizar a educação”, disse.

No final da tarde, os manifestantes – em sua maioria jovens com uniforme da escola ou camisetas da universidade em que estudam, além de pessoas usando adesivos com frases “eu luto pela educação” e “livros sim, armas não” – marcharam até a sede da Assembleia Le­gislativa, onde o protesto foi encerrado por volta das 19h.

“Não vamos aceitar que acabem com a educação e ciências sem fazer nada”, disse o doutorando João Victor Mello, que estuda geociências na USP. Mello foi dos atingidos pelo corte de bolsas na Capes – sem a qual, disse, dificilmente conseguirá terminar o curso. O ato em São Paulo teve a presença do ex-prefeito e ex-minis­tro da Educação Fernando Haddad, candidato derrotado do PT à presidência em 2018.

Em geral, os protestos ocorreram sem maiores incidentes. As exceções foram no Rio e em Porto Alegre. Na capital fluminense, estudantes e professores usaram cartazes e material de pesquisa para mostrar parte do trabalho desenvolvido nas universidades federais. Os manifestantes se reuniram na Candelária, na região central, e seguiram pela avenida Presidente Vargas gritando palavras de ordem como “ele não” e “não é balbúrdia, é reação, é estudante defendendo a educação.

Na estação da Central do Brasil, distribuíram livros, mas na dispersão um pequeno grupo entrou em confronto com a polícia. Houve fogos, bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha. Um ônibus foi incendiado.

Na região central de Porto Alegre, estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul entraram em confronto com a polícia após bloquearem a rua em frente ao campus. Não há registro de feridos.
Em Brasília, políticos e sindicalistas marcharam ao lado de manifestantes. Aos gritos de “a tsunami chegou” e “fora Bolsonaro”, o grupo saiu do Museu da República e contornou a Esplanada até a porta do Ministério da Educação (MEC).

Bolsonaro chama manifestantes de ‘idiotas úteis e massa de manobra’

O presidente Jair Bolsona­ro chamou de “idiotas úteis” e “massa de manobra” manifestantes que organizaram nesta quarta-feira (15) uma série de protestos contra os cortes do governo na área de Educação. O pre­sidente classificou os protestos como algo “natural” e disse que “a maioria ali (na manifestação) é militante”.

“Se você perguntar a fórmula da água, não sabe. Não sabe nada. São uns idiotas úteis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria esperta­lhona que compõe o núcleo das universidades federais”, disse Bolsonaro, em Dallas, nos Estados Unidos.

O presidente afirmou que não gostaria que houvesse cortes na Educação e disse que não teve saída. “Na verdade não existe corte, o que houve é um problema que a gente pegou o Brasil destruído economicamente, com baixa nas arrecadações, afetando a previsão de quem fez o orçamento e se não tiver esse contingenciamento eu simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal”, afirmou. “Porém, gostaria que nada fosse contingenciado, em especial na Educação.”

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