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Associação promove inclusão de autistas por meio da arte em Diadema

Associação promove inclusão de autistas por meio da arte em Diadema

Associação atende hoje dez alunos com aulas de desenho. Foto: Divulgação

A Associação Cultural Ar­tística e Esportiva de São Paulo (Acaesp) promove a inclusão de autistas por meio da arte em Dia­dema. Funcionando em parceria com o Studio Escola de Arte Paulista, o projeto “A Grande Ferramenta da Arte Frente ao Autismo” atende hoje dez alunos, apesar de ter repasse de cerca de R$ 400 mil aprovado pela Lei Rouanet, que não conseguiu patrocínio. Segundo o presidente da entidade, Neival­do Costa, o projeto vem sendo executado deste 2016 de forma voluntária, por falta de parcerias.

“Estamos com dificuldade de patrocínio e, como não temos repasses de nenhum go­verno, todo o projeto é custeado pela associação. Poderíamos ampliar o atendimento para cem alunos, mas, infelizmente, atendemos dez, e em uma sala cedida pelo Seap”, afirmou.

A Acaesp não conseguiu captar patrocínio até a data limite, encerrada em 31 de dezembro do ano passado. Porém, Costa destacou que a associação enfrenta outros entraves. “A entidade possui os títulos de Utilidade Pública Estadual, obtido em dezembro de 2012, e Utilidade Pública Municipal desde maio de 2014. Porém, enfrentamos muitas dificuldades, inclusive, até para renovação de registro na cidade. Apesar dessa legitimação a entidade não recebe ajuda e nossos trabalhos se restringem à filantropia. Estamos buscando ajuda na Assembleia Legislativa. Já tivemos em contato com as deputadas Valéria Bolsonaro e Janaina Pascoal. Também estamos pensando em fazer “uma vaquinha virtual”, pontuou.

A Acesp foi fundada em novembro de 2005 com estatuto bastante amplo, que possibi­lita atuar em âmbito estadual e internacional nas principais áreas do desenvolvimento humano que são educação, cultura, artes; esporte, ciência e meio ambiente.

Desde sua fundação a associação vem desenvolvendo projetos em diversas áreas, como o Arte Na Praça, Carti­lha Ambiental, Arte na Escola e na Empresa e Salão do Humor do ABCD. “Em todos os anos de trabalho recebemos uma única vez verba, que veio por emenda parlamentar, para o projeto Arte na Praça. Todos os outros sempre foram filantrópicos”, ressaltou Costa, que não descarta mudar a sede do projeto, caso consiga apoio em outros municípios.

 O PROJETO

Mães afirmam que o projeto tem sido essencial para a melhora de seus filhos. Para Ivana Ribeiro, mãe do Danilo, o desenho é o caminho para seu filho ter uma profissão. “Descobri que meu filho tinha autismo com 1 ano e meio. Antes, era uma criança que se desenvolvia normalmente, andava, brincava e, de repente, parou. Fui procurar ajuda e encontrei um psicólogo no sistema de saúde que foi incrível e começou a fazer o acompanhamento de meu filho. Quando ele foi para Emei tive muita ajuda das professoras, que me encaminharam para o CAIS (Centro de Atenção à Inclusão Social), que foram fazendo a inclusão devagarinho. Quando ele tinha perto de 6 anos recebeu alta do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e do Cais por excesso de demanda, porque em Diadema não há estrutura para atender todos os autistas. Me vi sozinha e nessa época conheci o pessoal da Acaesp, que foi fazer divulgação, lá no CAIS, do trabalho que estava começando. Meu filho não falava, usava fralda e ficou no peito até os 5 anos, mas já desenhava e escrevia o nome dele. Ele não brincava com nada, mas minhas paredes eram todas riscadas com o alfabeto. Quando me falaram que tinham um projeto para criar a inclusão e profissiona­lizar essas crianças, para mim foi a pedra angular da recuperação do meu filho”, pontuou.

Segundo Ivana, foi por meio do projeto que começou a perceber que seu filho não era um estranho. “Nesse processo descobri que o autismo não é uma doença, mas só um jeito diferente de ver a vida. Aqui ajuda bastante. Agora ele tem mais concentração. Hoje meu filho está com 8 anos, fala, consegue se relacionar com as crianças dentro da possibilidade dele e o desenho está sempre presente. Aqui meu filho está desenvolvendo técnicas que muita gente não tem. Hoje, como mãe, consigo enxergar um futuro para ele. Porque meu maior medo era que quando se tornasse adolescente e com minha idade chegando, ficasse sozinho e dependesse do estado para poder se manter. Isso me assustava. Porém, hoje sei que ele pode ser independente, ter uma profissão por meio do desenho. Tenho certeza que esse é o caminho”, pontuou.

“Esse projeto veio para levantar a autoestima de meu filho. Não teria condições de pagar um projeto desse. Hoje sei que meu filho pode ter uma profissão. Aqui descobri que ele tem um futuro. No projeto ele encontrou amigos”, corroborou Ana (nome fictício), cujo filho tem TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção).

Dificuldade no diagnóstico atrasa tratamento dos portadores do transtorno

A dificuldade em se conseguir o diagnóstico é constante nas histórias relatadas por pais, cujos filhos têm autismo. “Meu filho tem 12 anos e está laudado desde 2016. Antes do diagnóstico foi muito difícil, porque ele frequentava a escola e não conseguia aprender. Aí era chamado de burro e sofria muito. É um menino que se olhar você diz que não tem nada, mas eu, como mãe, sabia que tinha alguma coisa de errado. Fizemos um convênio e depois de muitos exames ficou comprovado que ele tem TDHA (Transtorno de Déficit de Atenção)”, afirmou Ana (nome fictício).

A mesma dificuldade enfrentou Clara (nome fictício), que levou 13 anos para conseguir diag­nóstico. “Meu filho demorou para falar e a gente levava no pediatra, que dizia que cada criança tem seu tempo. Com 4 anos ele entrou no pré e a professora, no primeiro dia de aula, me chamou e perguntou se eu tinha notado alguma coisa nele e se já tinha ouvido falar de Asperger (um dos perfis ou espectro de autismo). Daí foi uma caminhada gigan­tesca atrás de médicos e exames. Suspeitavam de várias coisas. Uns diziam que ele tinha TDHA, outros que era bipolaridade infantil. Ele chegou a fazer acompanhamento por três anos com a psicóloga, que falou que era tímido e que não tinha nada. Isso ele já tinha 7 anos. Todas as professoras relatavam dificuldade e achei que não era possível que fosse normal. Este ano, meu filho começou a apresentar sintomas de depressão e voltei a procurar ajuda médica. Depois de muitos exames chegou-se ao diagnóstico de asperger, mais que afeta só o lado comportamental. Faz um mês que a gente pegou o diagnóstico final”, afirmou.

Segundo a psicopedagoga Florinda Eunice Sellis, a dificuldade no diagnóstico ocorre em virtude da demora em se perceber os sinais característicos. “Após os pais identificarem e levarem ao pediatra, o mesmo também não consegue identificar e avaliar os sinais, pois não faz parte de suas atribuições ou não possui conhecimento sobre o problema, isso acaba provocando um atraso no tratamento e desenvolvimento da criança, pois não há um encaminhamento para o profissional da área”, pontuou.

Florinda explicou que o Transtorno do Espectro Autista abrange condições diferenciadas no desenvolvimento neurológico, que se manifesta desde a mais tenra idade, podendo, inclusive, não ser percebido de imediato, dependendo do seu grau, que recebe classificação de nível leve à grave.

“Os sintomas do autismo são variados, o indivíduo apresenta dificuldade para se sociabilizar, é muito introspectivo, tem dificuldade para expressar sentimentos e emoções. Evita contato visual, não inicia e termina um diálogo, possui algumas manias. Mantém por algum tempo movimentos repetitivos, tem dificuldade de imaginação, demonstra interesse por objetos específicos. Os sintomas são variados e com características particulares. Por outro lado, possuem grandes habilidades para alguns segmentos, como arte, música e matemática. São detalhistas, preferem uma atividade rotineira, são muito leais e confiáveis. Alguns são superdotados em certas áreas do conhecimento”, destacou.

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