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Micro e pequenas empresas ‘salvam’ mercado de trabalho do ABC

Micro e pequenas empresas ‘salvam’ mercado de trabalho do ABC

Estudo do Sebrae-SP revela que MPEs abriram 4.643 vagas no primeiro semestre, enquanto médios e grandes negócios fecharam 319

Com o mercado de traba­lho pressionado pela atividade eco­nômica fraca e ainda lon­ge de se recuperar da reces­são registra­da no período 2014-2017, as mi­cro e pequenas empresas têm sustenta­do a geração de em­pre­gos com carteira no ABC.

No pri­meiro semestre, as MPEs abri­­ram 4.643 vagas formais, enquanto os mé­­dios e grandes negócios fe­­­­charam 319, mostra estu­do re­alizado pelo escritório pau­lis­ta do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), a pe­di­do do Diário Regional.

Ainda segundo o levantamento, feito com base no Cadastro Ge­ral de Empregados e Desem­pregados (Caged), as micro e pequenas empresas do ABC criaram 8.245 empregos nos últimos 12 meses, enquanto as demais eliminaram 1.131.

Em linhas gerais, o estudo revela que, sempre que o mercado de trabalho do ABC esteve contratante, as MPEs abriram mais vagas do que as demais empresas. Da mesma forma, nos momentos em que o mer­cado se retraiu, a perda de empregos entre as micro e pequenas foi consideravelmente menor.

“A micro e pequena empre­sa é, geralmente, pouco inten­siva em capital. O fato de não ter muita mecanização torna as MPEs intensivas em mão de obra e mais dependentes do trabalho humano. Assim, são mais resistentes a desempregar em momentos de crise e mais rápidas em contratar quando a economia melhora para suprir o aumento da demanda”, disse Paulo Sérgio Cereda, gerente re­gional do Sebrae-SP no ABC.

O executivo lembra ainda que, na MPE, é maior a pessoa­lização na relação com os fun­cioná­rios, e eventual vínculo de amizade ou pa­ren­tesco existente com o trabalhador inibe o proprietário de demitir. “Além disso, os custos da demissão são muito altos, e a micro e pequena empresa nem sempre tem caixa suficiente para bancar a indenização”, disse.

No corte por setores, o estu­do mostra abertura de vagas nas MPEs da construção civil e dos serviços, enquanto as micro e pequenas empresas da indústria e do comércio mais demi­tiram do que contrataram.

O estudo considera como MPEs empresas da indústria e da construção civil com até 99 fun­cionários, e da agricultura, do comércio e dos serviços com até 49. Não foram incluídos dados da administração pública.

O parque fabril do ABC fe­chou 1.085 postos de trabalho no primeiro semestre, mas os cortes foram menos intensos nas MPEs (-30) do que nas médias e grandes empresas (-1.055).

Cereda entende que há no país ine­gável processo de desin­dus­tria­lização, que tem atingido as fábricas de todos os por­tes. “As MPEs industriais, em ge­ral, são elos bem distantes do grande player de uma cadeia produtiva. Como o se­tor não vai bem co­mo um todo, essas empresas ficam sem cliente.”

O gerente regional afirmou que, em um cenário de retomada do crescimento neste semestre, a me­lhora no emprego fabril tende a ser mais rápida nas MPEs. “A resposta será mais positiva nas micro e pequenas, porque as médias e grandes estão auto­matizando seus processos e en­trando no conceito 4.0”, disse.

No comércio, o fechamento de 420 vagas nas MPEs e de 1.023 nas médias e grandes pode ser explicado, segundo o gerente regional do Sebrae-SP, pela retra­ção do consumo observada nos últimos meses.

No sentido contrário, os serviços tiveram o melhor desempenho, com a abertura de 5.661 vagas formais no primeiro semestre. Mais uma vez, as MPEs se saíram melhor, com saldo po­sitivo de 4.156 empregos ge­rados, enquanto os médios e gran­des negó­cios criaram 1.505.

PERSPECTIVAS

Ce­reda destacou a aprovação da reforma da Previdência na Câmara como sinal dado ao mercado de que o governo “está fazendo sua lição de casa”, o que deve aumentar a confiança do empresariado. Porém, lembrou que a disputa comercial entre EUA e China tornam o ambiente internacional muito imprevisível.

O gerente regional do Sebrae-SP minimizou o impacto da li­beração de R$ 500 das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “No total, é um dinheiro bastante significativo, mas é preciso lembrar que 60% da população está endividada, e o FGTS não vai fazer milagre.”

O ambiente de negócios para as MPEs tende a ser favorecido pela chamada Medida Provisória (MP) da Liberdade Econômica, que deve ser votada hoje (13), na Câmara. Para o Sebrae, o projeto vai beneficiar os pequenos negócios, que terão seus processos fa­cili­tados com a redução da buro­cracia na administração pública.

Editoria: Economia Tags: , , , , , , , , ,

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