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Contra volta do populismo kirchnerista, Macri congela gasolina e dá subsídios

Contra volta do populismo kirchnerista, Macri congela gasolina e dá subsídios

Macri tenta reverter a vantagem do kirchnerista Alberto Fernández na disputa presidencial. Foto: Arquivo

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, lançou nesta quarta-feira (14) pacote econômico de US$ 634 milhões para tentar reverter a vantagem do kirchnerista Alberto Fernández na disputa presidencial e aliviar os efeitos na economia real da reação negativa dos mercados à primária de domingo – vencida pelo rival. Entre as principais medidas estão gestos antes criticados por Macri e identificados com a oposição, como o aumento de subsídios e o congelamento de preços.

Segundo economistas, o impacto fiscal será de 0,15 ponto porcentual no Produto Interno Bruto (PIB) e os recursos virão do contingenciamento de obras de infraestrutura. O preço da gasolina não será reajustado por 90 dias. O governo também prometeu restituição fiscal do imposto de renda no valor de 2 mil pesos (R$ 135) para cada argentino e um aumento do salário mínimo ainda não definido. Haverá também reajuste na bolsa de estudos concedida para estudantes universitários e de ensino médio de baixa renda.

De acordo com economistas e analistas políticos consultados pelo Estado, o pacote deve ser paliativo. Depois da derrota por 15 pontos de diferença para Fernández no domingo, a Argentina viveu três dias complicados em consequência da reação ruim do mercado financeiro. O peso sofreu desvalorização de 20% e a Bolsa de Buenos Aires recuou 38% desde domingo.

“Isso tem impacto na economia real. A desvalorização do peso levará à alta de mais ou menos 30% na cesta básica. Um dos objetivos do anúncio é contornar esse impacto”, disse ao Estado Ignacio Almirón, da Universidade de Buenos Aires. “Os recursos anunciados pelo governo recuperariam apenas 20% dessa desvalorização.”

Quando assumiu o governo, em 2015, uma das primeiras medidas de Macri foi retirar subsídios sobre serviços públicos como água e luz, adotados por Cristina Kirchner, o que provocou aumento substancial no custo de vida.

Em abril deste ano, o presidente já tinha recorrido a outra prática que antes criticava: o congelamento de preços de alimentos para conter a inflação. Agora, recorreu à mesma ferramenta para frear a alta dos combustíveis.

Com o anúncio e ao longo de todo o dia, Macri tentou acalmar os argentinos e os mercados. “Minha tarefa é garantir a governabilidade. O diálogo é o único caminho”, disse o presidente.

Mais tarde, Macri conversou com Fernández e disse que o rival se comprometeu a acalmar o mercado caso seja eleito. “Fernández prometeu colaborar no que for possível para que o processo eleitoral afete o menos possível a economia dos argentinos”, afirmou o presidente.

Fernández disse, por sua vez, que as medidas não são ruins, mas o pacote é tardio. “É como dar a extrema-unção a um ateu”, afirmou. “Não adianta.”

INCERTEZAS

Analistas veem a eficácia política do anúncio com cautela. “O objetivo dos anúncios é amenizar a crise na classe média – porção do eleitorado que abandonou Macri no domingo e estava com ele em 2015”, disse ao Estado Facundo Galván, da Universidade Católica de Buenos Aires. “Os anúncios fazem parte de um pacote que busca melhorar a situação em um contexto de crise.”

Ainda de acordo com o analista, ainda é cedo para dizer se essas medidas se mostrarão acertadas. “Em outubro saberemos se Macri conseguiu convencer os descontentes com a crise e sua liderança”, acrescentou.

Para Ignacio Labaqui, também da UCA, dificilmente as medidas terão impacto na eleição. “Trata-se de um paliativo para uma situação bastante complexa e é difícil reverter o resultado das primárias”, avaliou.

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