0

Mais de 30 pessoas tiram a própria vida por dia no Brasil

Mais de 30 pessoas tiram a própria vida por dia no Brasil

Mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos de humor. Foto: Arquivo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é res­ponsável por 800 mil mortes anualmente. Na faixa etária de 15 a 29 anos é a segunda principal causa de morte. Segundo a OMS, 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Avançada (Ipea), em dez anos (2007 a 2017) houve aumento de 80,4% no número de suicídios no país – passou de 8.868 para 12.495. Mais de 34 pessoas tiraram a vida por dia no Brasil em 2017. Em São Paulo o porcentual de crescimento entre 2007 e 2017 foi de 35% – de 1.708 casos para 2.306.

De acordo com as informações da Upjohn, uma das divisões de um laboratório farmacêutico focado em doenças crônicas não transmissíveis e que lançou campanha voltada ao Setembro Amarelo, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e transtornos do humor. A depressão é o diag­nóstico mais frequente, aparecendo em 36% das vítimas.

Dados da OMS mostram que o Brasil é o país com maior porcentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. A taxa é maior do que o valor global, que é de 4,4%. Igualmente maior do que em ou­tros países, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% de 2006 a 2015.

O aumento dos casos entre os mais novos e com prevalência entre os homens faz da depressão a quarta maior causa de suicídio entre jovens no país. O psiquiatra Teng Chei Tung, vice-coordenador da Comissão de Emergência Psiquiátrica da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explicou que a alta incidência entre os jovens está ligada à grande expectativa externa e interna de que se comportem como adultos, mesmo sem ter ainda as habilidades de um adulto, e à pressão de que o adolescente seja pleno, potente, competente e reconhecido.

“Então ele faz as coisas, erra e se frustra. Nessas frustrações os jovens podem entrar na depressão. Os preconceitos são os mesmos e são agravados pela desinformação. Para o jovem existe a influência do pensamento de que a saúde mental é só uma questão social, existencial e psicológica”, afirmou.

Teng disse que sentir tristeza é normal e que a frustração sempre traz alguma tristeza passageira, mas é preciso que as pessoas próximas fiquem atentas para perceber quando esse estado já se tornou uma depressão. “Um dos parâmetros é quando há sofrimento excessivo e quando começa a causar real prejuízo. Afeta as relações interpessoais, produtividade no trabalho, ou sofrimento individual, ou seja, a pessoa está sofrendo mais do que que precisaria naquela situação. Não é que não pode ter tristeza e emoção, mas isso não pode prejudicar a pessoa a ponto de afetá-la fisicamente”, destacou.

Para Teng, a melhor forma de falar sobre a depressão é deixar claro que ela é uma doença que apresenta alterações biológicas e fisiológicas, envolvendo fatores genéticos e estruturais, o que significa que a pessoa nasce com a tendência de desenvolver o quadro depressivo. O tratamento inclui, principalmente, melhorar o estilo de vida. “Quem tem depressão precisa se equilibrar e cuidar da saúde, para não ter de novo a doença”, disse o médico.

CAMPANHAS

Este ano, o girassol foi escolhido como símbolo da campanha Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu, iniciativa do Setembro Amarelo, que tem o objetivo de abrir o diálogo e alertar a sociedade sobre o tema. A campanha conduzida pela Upjohn trará ações digitais e de rua para combater os estigmas da depressão. O trabalho tem ainda o apoio de músicos, esportistas e influenciadores digitais que já passaram ou passam pelo problema.

Os usuários de redes so­ciais serão convidados a postar o ícone do girassol para mostrar que estão dispostos a falar sobre #depressaosemtabu. Também poderão conhecer o sitedepressaosemtabu.com.br, que traz informações sobre o tema e orientações sobre a identificação de comportamentos de risco em pessoas próximas. O Ministério da Saúde vai aproveitar setembro para enfatizar a necessidade de atenção especial com o bem-estar e a saúde mental de crianças e adolescentes, a fim de reduzir o suicídio entre o público jovem.

Editoria: Nacional Tags: , , , , , , ,

Assine e receba as publicações

Compartilhe esta matéria

Matérias Relacionadas

Comente esta matéria

Enviar comentário

Atenção! O comentário aqui postado é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do Diário Regional. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e serão removidos.

© 2019 Diadema Jornal. Todos os direitos reservados.
.