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Caoa fechará compra de fábrica da Ford em 45 dias

Caoa fechará compra de fábrica da Ford em 45 dias

Andrade,Doria e Watters, durante anúncio no Palácio dos Bandeirantes. Foto: Divulgação/GESP

O Grupo Caoa deve assumir em 45 dias a fábrica da Ford em São Bernardo e aproveitar 850 dos 2,7 mil trabalhadores existentes na unidade em fevereiro deste ano, quando a montadora norte-americana anunciou o fechamento da planta situada no bairro Taboão e o encerramento da produção de caminhões.

O anúncio foi feito na tarde desta terça-feira (3) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, após reunião da qual participaram o governador João Doria (PSDB); o presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade; o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB); e o presidente da Ford para a América do Sul, Lyle Watters, entre outros representantes do governo e do setor.

As duas empresas assinaram termo de exclusividade e confidencialidade que dá ao Grupo Caoa prazo de 45 dias para confirmar a compra. O processo é chamado no meio corporativo de “due diligence” e consiste na análise de informações antes da concretização da venda. Por isso, nem Andrade nem Watters deram detalhes da negociação.

O empresário revelou, no entanto, que o negócio será feito com recursos próprios, sem empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como chegou a ser especulado. Disse ainda que, por enquanto, não pleiteou incentivos fiscais oferecidos pelo governo do Estado no âmbito do IncentivAuto, mas pretende recorrer ao programa, que concede descontos de até 25% no ICMS a empresas do setor que investirem ao R$ 1 bilhão e gerarem no mínimo 400 empregos.

Andrade afirmou que não há motivo para ampliar a fábrica, que tem 1,2 milhão de metros quadrados, dos quais 600 mil de área construída. “Nosso objetivo é tornar a fábrica viável, lucrativa e produtiva, criando empregos e riqueza para o país”, disse.

Desde o anúncio do fecha­mento da fábrica de São Bernardo, em feve­rei­ro, Doria li­dera a procura por um comprador para a planta. “Buscamos uma solução que permitisse a preservação dos empregos dos metalúrgicos e prestadores de serviço na unidade de São Bernardo. É dever do governo do Estado preservar e gerar empregos”, destacou o governador.

“Trata-se de dia importante para São Bernardo. O começo do ano foi muito traumático, pois, de maneira desastrosa, a direção da Ford fez o comunicado (do fechamento), deixando em pânico os trabalhadores da empresa e a população. Desde então, buscamos todos os caminhos para reverter a situação. Hoje, garantimos uma nova condição: a manutenção de empregos”, disse Morando.

LINHA CARGO

O prefeito e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, revelaram que Ford e Grupo Caoa negociam a continuidade da produção de caminhões da linha Cargo em regime de licenciamento.

O Grupo Caoa também estuda a produção na planta de um automóvel de origem chinesa, mas detalhes sobre marca e modelo só serão divulgados após o final do due diligence. A empresa fabrica carros da sul-coreana Hyundai em Anápolis (GO) e da chinesa Chery em Jacareí, no Interior de São Paulo.

Morando revelou que, inicialmente, o Grupo Caoa deve aproveitar 850 trabalhadores, dos quais 700 na produção e os demais no setor administrativo. Esse seria o mínimo necessário para manter a produção de caminhões na unidade.

Outros 600 trabalhadores permanecerão na Ford, atuando na área administrativa – a empresa possui fábrica de automóveis em Camaçari (BA) e outra de motores em Taubaté, no Interior de São Paulo. Morando tenta, agora, mantê-los em São Bernardo. O prefeito revelou que o Grupo Caoa ofereceu à Ford uma área dentro da fábrica para abrigar o escritório.

Atualmente, a Ford mantém cerca de 1.200 trabalhadores na planta, dos quais 600 na produção de caminhões e igual número no administrativo. Os demais ade­riram ao pa­cote de benefícios proposto pela empresa como com­pen­sa­ção pelo fe­chamen­to da uni­dade.

A montadora deve permanecer no controle da fábrica de São Bernardo até meados de outubro, quando termina o prazo de 45 dias para o fechamento do negócio. Morando afirmou que não há “plano B” para a possibilidade – que considera improvável – de o Grupo Caoa não sacramentar a compra.

O presidente do sindicato revelou que os trabalhadores que serão aproveitados pelo Grupo Caoa receberão salários 20% a 25% inferiores aos pagos pela Ford. Wagnão reconheceu que a remuneração será inferior à desembolsada por outras montadoras do ABC, mas ainda superior à oferecida por empresas de outros Estados.

Quanto ao excedente de 1.250 trabalhadores, Morando disse que pretende negociar com Volkswagen e Mercedes-Benz acordo semelhante ao fechado recentemente com a General Motors, no qual a GM se compromete a dar preferência a ex-trabalhadores da Ford em futuras contratações.

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