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Caoa vai fabricar carros da marca chinesa Changan em São Bernardo

Caoa vai fabricar carros da marca chinesa Changan em São Bernardo

Em 2017, Changan ocupou o quarto lugar em vendas na China. Foto: Reprodução

A compra da fábrica da Ford, em São Bernardo, pelo Grupo Caoa já tem objeti­vo definido: produzir veículos da Changan, uma das cinco maiores montadoras da China, apurou o Estado de S. Paulo.

No anúncio do negócio, ocorrido no Palácio dos Bandeirantes, na última terça-fei­ra (3), havia ao menos dois representantes da marca chi­nesa. Um deles, que preferiu não se identificar, afirmou que há comitiva da empresa no Brasil acertando os deta­lhes da parceria. Seria o retorno da Changan ao país, uma vez que a empresa já esteve no Brasil por meio de veículos importados, mas desistiu do mercado.

Na coletiva de imprensa con­cedida na sede do governo paulista, o presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, confirmou que preten­de usar a fábrica do ABC para fazer carros “de uma marca chi­nesa”, sem citar nomes. Logo após o evento, Andrade saiu sem conversar com os jornalistas.

Em 2017, a Changan teve o melhor resultado de sua história no mercado chinês e ocupou o quarto lugar naquele país, com mais de 2,8 milhões de veículos vendidos.

Segundo fontes do setor, a Changan deverá produzir, principalmente, utilitários esportivos (SUVs) em São Bernardo. Os modelos, porém, deverão ser mais baratos que os feitos pela Caoa Chery.

A Changan já atuou no Brasil. A empresa chegou ao país em 2006, por meio de importador, e ficou até 2016. Durante esse período, vendeu veículos comer­ciais da subsi­diária Chana Motors – que, assim, como a Hafei, pertence à Changan. À época, oferecia três modelos: uma picape e duas vans, uma de cargas e outra de passageiros.

Em 2011, a marca passou a se chamar Changan no Brasil e anunciou a importação de carros de passeio. Porém, a promessa – que incluía o hatch compacto Ben Ben, o cros­sover CX20 e o sedã Yuexiang – nunca se concretizou.

Procurada, a Caoa disse que não há acordo firmado com uma marca chinesa para a fábrica de São Bernardo. “Caso isso ocorra, o grupo fará anúncio público e comunicará a im­prensa a respeito”, informou.

O negócio ocorrerá menos de dois anos depois de a Caoa assumir a operação da Chery no país. Em novembro de 2017, o grupo brasileiro – que já detinha as marcas Subaru e Hyundai – comprou por US$ 60 milhões metade da operação da marca chinesa e criou a Caoa Chery.

Também na terça, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), disse que o Grupo Caoa negocia com a Ford a continuidade da produção de caminhões da linha Cargo em regime de licenciamento.

O anúncio ocorrido no Palácio dos Bandeirantes encerrou sete meses de incertezas iniciados em fevereiro, quando a Ford comunicou o fechamento da unidade. Naquela época, a planta empregava 2,7 mil trabalhadores – atualmente há 1,2 mil.

Morando revelou que, ini­cialmente, o Grupo Caoa de­ve aproveitar 850 trabalhadores da Ford, dos quais 700 na linha de montagem e os de­mais no setor administra­ti­­vo. Esse seria o mínimo ne­­cessário para manter a pro­du­ção de caminhões na planta.

Outros 600 trabalhadores permanecerão na Ford, atuan­do na área administrativa – a empresa possui fábrica de automóveis em Camaçari (BA) e outra de motores em Taubaté, no Interior de São Paulo. Morando tenta, agora, mantê-los em São Bernardo. O prefeito re­velou que o Grupo Caoa ofere­ceu à Ford uma área dentro da fábrica para abrigar o escritório.

As duas empresas assinaram termo de exclusividade e confidencialidade que dá ao Grupo Caoa prazo de 45 dias para confirmar a compra. O processo é chamado no meio corporativo de “due diligen­ce” e consiste na análise de informações antes da concretização da venda. Só depois desse prazo o negócio deve ser sacramentado.

Editoria: Economia Tags: , , , , , , , , ,

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